O medicamento injetável lenacapavir, desenvolvido para impedir quase totalmente a infecção pelo HIV, foi escolhido pela prestigiada revista científica Science como o principal avanço científico de 2024. Apesar dos progressos na luta contra o vírus da Aids, que ainda atinge mais de 1 milhão de pessoas anualmente em todo o mundo, o tratamento representa uma nova esperança no combate à doença.

Embora não se trate de uma vacina, já que não estimula o sistema imunológico a reconhecer e barrar o vírus, o lenacapavir funciona, na prática, como um imunizante ao bloquear a replicação do HIV.

Disponibilidade e desafios futuros

O medicamento ainda está em processo de aprovação por órgãos reguladores, como o FDA (Estados Unidos) e a Anvisa (Brasil), e estima-se que chegue ao mercado apenas em 2026. A expectativa em torno do produto é alta, mas também levanta debates sobre a acessibilidade, especialmente nos países de renda média.

Testes clínicos realizados em adolescentes e mulheres na África indicaram eficácia acima de 96% , enquanto estudos com participantes de diversas regiões do mundo e gêneros também registraram eficácia similar. Cada aplicação do lenacapavir garante proteção por até seis meses.

Em um encontro recente em Johannesburgo, África do Sul, Draurio Barreira, diretor do Departamento de HIV, Aids, Tuberculose e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, descreveu o medicamento como “a solução mais próxima de uma vacina para eliminar a transmissão do HIV no mundo”.

O custo e a questão da acessibilidade

Apesar da promessa científica, o preço elevado representa um desafio significativo. Estima-se que o custo anual do tratamento, composto por duas doses, varie entre US$ 25.395 e US$ 44.918 (aproximadamente R$ 153 mil a R$ 271 mil).

Para ampliar o acesso, a farmacêutica Gilead, responsável pela criação do lenacapavir, firmou parcerias com seis laboratórios para produzir versões genéricas de menor custo destinadas a 120 países de baixa renda. Entretanto, países de renda média, como o Brasil e grande parte da América Latina — onde parte dos estudos foi conduzida — não estão contemplados no acordo, o que pode dificultar a implementação nos sistemas públicos de saúde.

Como o lenacapavir funciona?

O mecanismo de ação do medicamento se concentra na cápsula de proteína que protege o material genético do HIV. Ao endurecer essa estrutura, o fármaco impede estágios fundamentais da replicação viral, interrompendo a progressão da infecção. 

Autor:

Bruno Paulino de Lima Costa

Skip to content