Novamente o movimento para a discussão do Projeto de Lei nº 1774/2019, ressurge no país, este projeto liberaria a venda de medicamentos isentos de prescrição (MIPs) em quitandas, bares, botecos, supermercados e qualquer outro lugar que venda alimentos. Confira agora, 4 motivos que preparamos para devemos dizer NÃO para este projeto, e SIM para o uso racional de medicamentos. 

 

  1. MIPs CAUSAM MILHARES DE CASOS DE INTOXICAÇÃO.  

 

Os medicamentos isentos de prescrição causam milhares de intoxicações por ano, sendo as crianças as principais afetadas. Dados do Datatox acusam que entre 2014 e 2018, tivemos 6 intoxicações por dia, ou seja, 9000 pessoas intoxicadas por ano.  Destas, 53% eram de crianças. 

 

2. SUPERMERCADOS PODEM VENDER MEDICAMENTOS, MAS DO JEITO CORRETO. 

 

As redes de supermercados podem colocar redes próprias de farmácias dentro dos seus estabelecimentos. Contudo, estas Farmácias são obrigadas a manter o farmacêutico presente durante todo o tempo de funcionamento e obedecer às mesmas normas sanitárias específicas. A flexibilização das normas atuais apenas visa à arrecadação, e não à saúde! Quem se responsabilizará pela saúde das pessoas nos supermercados? 

 

3. É UMA “ECONOMIA” QUE NÃO SE SUSTENTA. 

 

Mesmo que os preços dos medicamentos abaixem, os custos provenientes do aumento do uso indiscriminado de medicamentos se refletiriam no aumento dos impostos para custear o SUS.  Uma pesquisa realizada na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) pelo farmacêutico e professor Gabriel Freitas, estima que os danos mais graves relacionados a medicamentos, sem contar problemas mais simples, custariam cerca de R$ 60 bilhões ao ano para o Sistema Único de Saúde (SUS). 

 

4. Desvalorização da Educação em Saúde. 

 

Ao se colocar MIP`s diretamente ao alcance da população, se promoverá uma diminuição do diálogo com o farmacêutico, profissional historicamente relacionado com a primeira linha de cuidados com a saúde da população, essa redução na comunicação irá possivelmente impactar em agravo da saúde coletiva, e no uso irracional de medicamentos. O farmacêutico possui o conhecimento necessário para orientar cada paciente sobre a posologia correta, possíveis interações com outros medicamentos e alimentos, contraindicações e efeitos adversos. Sem essa orientação, os consumidores podem acabar utilizando de outras informações e até mesmo fake News e utilizando os medicamentos de forma inadequada. 

 

REFERÊNCIAS 

 

Conselho Federal de Farmácia. Diga não ao PL que libera a venda de medicamentos em supermercados. Brasília 2024. Disponivel: https://site.cff.org.br/noticia/noticias-do-cff/09/12/2024/diga-nao-ao-pl-que-libera-a-venda-de-medicamentos-em-supermercados Acesso: 17/02/2025

 

Skip to content